Cada um de nós tem uma chave para a sabedoria universal dentro de si. Abrindo o coração, entrando no silêncio, podemos aceder ao conhecimento que o vento murmura.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Quatro aspectos fundamentais da meditação de atenção plena



A meditação de plena atenção (mindfulness) é o ponto de partida para uma viagem espiritual, comum a muitas tradições religiosas, filosóficas e místicas. Aqui entendemos a espiritualidade não como uma maneira de atingir uma felicidade específica ou um estatuto especial. Falamos de espiritualidade como uma atitude em que nos dispomos a relacionar-nos com a base da nossa existência, que é o estado da nossa mente. 

Podemos considerar a mente como a característica que distingue os seres sencientes das rochas, plantas ou massas de água. A mente é a instância que distingue, que tem uma noção de dualidade em que algo exterior é identificado, para em seguida ser desejado ou rejeitado. Fundamentalmente, a mente é aquilo que consegue perceber algo como sendo diferente de quem está a perceber.

O que acontece quando estamos conscientes – no sentido mais alargado – é que tomamos consciência de algo diferente do “eu”. Assim, quando falamos da mente, estamos a falar de algo muito específico: falamos de uma percepção do exterior, que faz com que a mente assume a priori que existe um “eu”.

“Mente” também inclui emoções. Ela não pode existir sem emoções, que existem em muitas graduações: paixão, agressão, ignorância, orgulho, todo o tipo de emoções que confirmem à mente, através das sensações emocionais, a sua própria existência.

O que procuramos quando iniciamos o caminho da meditação, é uma libertação dos esquemas que a mente utiliza para confirmar a sua existência. Utilizamos o mindfulness para nos relacionar directamente com a mente. Não estamos interessados em perceber o conteúdo da percepção, mas sim em perceber o processo da percepção – para não ficar agarrados pelas ilusões, projecções ou emoções produzidas pela mente.

Olhando para os aspectos fundamentais no mindfulness, podem ser distinguidos quatro:

- mindfulness do corpo

- mindfulness da vida

- mindfulness do esforço

- mindfulness da mente

Mindfulness do corpo tem a ver com a tentativa de mantermos humanos. A consciência de ser humano, de ter uma forma física, de estar enraizado nesta terra. Somos seres humanos normais, iguais a qualquer outro, e no mindfulness do corpo podemos ver essa realidade.

Tem a ver com a aceitação das sensações do corpo, dos sentidos que nos dão informação sobre o que acontece. Dos 8 níveis de consciência que a mente possa ter, os primeiros 5 tem a ver com os sentidos corporais: a consciência da visão, consciência da audição, a consciência do olfato, a consciência do paladar, e a consciência do corpo. Corpo e toque, língua e gosto, nariz e cheiro, ouvido e som, olhos e forma. Essas consciências são um tipo de fluxo; formam-se e desaparecem. [i]

Nas primeiras sessões (do curso de iniciação à meditação, do qual faz parte este texto) experimentamos uma abordagem a essas consciências, através da postura e da audição. Percebemos como quando essas consciências são vividas em plena atenção, pode haver momentos de simplesmente ser. 

De acordo com os Tchich Nath Hahn, quando as consciências dos sentidos operam sozinhas sem a consciência da mente, elas podem ter a oportunidade de tocar a dimensão absoluta da realidade, ou última. Não há pensamento. O primeiro momento de tocar e sentir pode ajudar essas cinco consciências a tocar a dimensão absoluta, tocar a realidade. Há um contato direto, sem discriminação ou especulação. Mas quando as cinco colaboram com a consciência da mente, então o pensamento, a discriminação, a especulação instalam-se e elas perdem o contato com a dimensão absoluta, com a realidade.

A segunda forma de mindfulness é o mindfulness da Vida. Falamos aqui de termos noção do instinto vital, da força vital que nos mantém vivos. É uma força que nos faz estar alerta – um instinto de sobrevivência. Mas é igualmente uma força que nos leva a agarrar-nos para sobreviver. Em meditação, é um agarrar ao estado meditativo, um querer estar em paz, que tem efeito paradoxal: no momento em que nos agarramos, a mente deixa de estar livre e em descanso. E o estado meditativo dissolve e desaparece….

É um mal-entendimento comum, pensar que o estado meditativo é algo que pode ser captado, alimentado e acarinhado. Mas quando procuramos, através da meditação, domesticar a mente - ou seja, tentar exercer poder sobre ela, mantendo-a em estado meditativo – a meditação torna-se artificial e forçado, perdemos espontaneidade, frescura. Será como seguir uma receita vez após vez, sempre o mesmo prato. Vai tornar a meditação rígida.

Aqui a aproximação é simples, podemos ter plena atenção da força vital sem tentar agarrar a sensação do estado meditativo. É um treinar parar ter confiança: da mesma maneira que não precisamos de manter o equilíbrio do corpo (ele mantém se sozinho na postura) aqui também podemos ter confiança que não precisamos de segurar a mente. Se relaxamos, ela vai habituar-se a voltar espontaneamente ao estado meditativo: calmo e alerto. Meditação pode tornar-se uma maneira de estar, em vez de um exercício rígido. O instinto de vida acaba por levar a atenção àquilo que acontece, continuamente.

A plena atenção vivida assim resulta em meditação contínua: a sensação que estás aqui, vivendo, permitindo que é assim mesmo. Isto é mindfulness. O coração bate, há respiração; um leque de movimentos físicos, mentais e emocionais acontece ao mesmo tempo. A tua respiração torna-se a expressão do mindfulness… uma experiência directa, pessoal e única.

O Mindfulness do esforço é algo paradoxal em meditação: procuramos estar relaxados, abertos, sem esforço ou artificialidade. Como podemos ter mindfulness do esforço?

Aqui falamos de uma tomada de consciência que estamos a fazer o esforço certo. Não podemos ter a expectativa de um êxito contínuo quando estamos a esforçar-nos em afastar a dor ou o sofrimento ou o ego. Assim vamos ser escravos da nossa intenção. O ideal é mesmo ter uma noção clara da intensidade com que estamos a meditar: não demasiado sério e solene, nem com sentido do dever exagerado. Fluir naturalmente entre aplicar-nos e não aplicar-nos em demasia é o estilo que procuramos; deixar que o esforço se equilibra continuamente, voltando naturalmente para a respiração.

Chegamos ao Mindfulness da mente, o que significa estarmos junto à nossa mente. Quando nos sentamos e meditamos, estamos presente. Estamos presentes no corpo, presentes na sensação da vida ou de sobrevivência, presentes na maneira em que nos aplicamos no esforço de meditar. Ao mesmo tempo, estás com a mente. Estás sendo.

O mindfulness da mente engloba uma sensação de presença, e uma sensação de precisão e rigor em estando presente. É estar inteiramente presente. Não há de maneira de não ir ter contigo: estás aí. Não estando presente, podias falhar – mas quando percebemos que não estamos presente é porque estamos ;)

O processo é simples, embora não há palavras suficientes para explicar a simplicidade. É algo para ser experimentado, de momento a momento, estando aqui e agora. Por muito que podemos ter a ideia que temos muito significado ou impacto, aquilo que realmente interesse, acontece aqui e agora dentro da mente. Podemos pensar que temos um passado e um futuro, e que tudo é muito importante, mas na realidade funcionamos de momento a momento, no eterno agora.

A vida acontece uma coisa após a outra, num movimento directo e simples. Mindfulness da mente tem por isso uma técnica extremamente simples: registando o que acontece na mente. “Penso que oiço um som” – “penso que cheiro um odor” – “penso que sinto calor”… registando com precisão, directamente, cada movimento da mente.

Estes quatro aspectos da atenção plena podem ser encontradas na respiração.

Quando nos sentamos em meditação, percorremos os quatro aspectos fundamentais. Verificamos a postura e tornamos a atenção plena para o corpo. Convidamos o corpo inteiro a relaxar na postura, sem expectativas, sem exigências, sem objectivos, e contactamos com a atenção plena da vida. Estabelecemos a intenção e lembramo-nos da motivação: contactamos com a atenção plena do esforço. E começamos a levar a atenção plena para a respiração, e no vai e vem da respiração começamos a encontrar a atenção plena da mente. Respiramos. Recebemos e libertamos, sem agarrar, sem rejeitar. Estando presente, em cada momento, a mente começa a mostrar como funciona. 


Ouvimos Sogyal Rinpoche: "Tal como o oceano tem ondas e o sol tem raios, a manifestação própria da mente são seus pensamentos e emoções. O oceano tem ondas, mas não é particularmente perturbado por elas. As ondas são da mesma natureza do oceano. As ondas aparecem, mas para onde vão? De volta ao oceano. E de onde vêm? Do oceano. Do mesmo modo, pensamentos e emoções são a radiância e a expressão da verdadeira natureza da mente. Eles surgem na mente, mas onde se dissolvem? Na própria mente. O que quer que apareça, não o encaramos como um problema particular; se não reagimos de maneira impulsiva, se sabemos ser apenas consciente, voltaremos naturalmente para a nossa verdadeira natureza.

Assim, não importa que pensamentos e emoções apareçam. Permitimos que eles venham e assentem, como as ondas do oceano. Não importa o que se perceba pensando, deixamos o pensamento surgir e se assentar, sem interferência nem dar importância específica. Não o agarramos, não o alimentamos, não lhe prestamos demasiada atenção; não nos agarre a ele e não tentamos dar-lhe solidez. Não seguimos os pensamentos nem os convidamos. "

Ao respirar, podemos ser como o oceano olhando para as nossas próprias ondas. Podemos ser o céu, que do alto observa as nuvens que passam por ele. Pairamos no espaço azul para observar e deixar passar. 
____________________________
(texto baseado nos ensinamentos de Thich Nhat Hahn; Chogyam Rinpoche, em “The Heart of the Buddha”; e Sogyal Rinpoche, em “Livro Tibetano da Vida e da Morte”)

[i] Para completar: Considera-se a sexta consciência a consciência da mente; a sétima é o solo em que a mente se apoia para se manifestar; a oitava consciência é a consciência armazenadora.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Meditar para descobrir a natureza humana: nada é o que parece

O caminho em direcção à libertação é um caminho paradoxal - podemos mesmo interrogar-nos se a palavra  "caminho" é adequado: os mestres ensinam que a Luz já existe em nós, basta deixar que ela se manifesta.

Abraham Hicks refere : "all you have to do is to decide what you desire to experience and then allow it in order to achieve it. It is not something you have to struggle or try for." (Tudo o que precisas fazer, é decidir o que desejas experimentar, e para conseguir alcançar este objectivo basta permitir que te acontece. Não é algo que requer luta ou tentativas". 

Simples?

Parece que sim, mas quando procuramos paz interior e uma mente calma, nem sempre acontece desta maneira simples. A mente humana é mestre em complicar, e quando nos sentamos para meditar são estas complicações que se mostram e teimam em surgir.

A meditação é indicado como o caminho para libertar, e "mindfulness" é hoje em dia usada como uma palavra mágica. Reduzir o stress, curar doenças, melhorar a concentração - parece que meditação é a resposta a tudo. No entanto a meditação em si, não é uma solução fácil:

"Na meditação, descobrimos a nossa inquietação inata. Às vezes levantamos e vamos embora. Às vezes estamos sentados mas os nossos corpos mexem e queixam-se e as nossas mentes dispersam-se. Isso pode ser tão desconfortável que sentimos ser impossível ficar. No entanto, esse sentimento pode nos ensinar não apenas sobre nós mesmos, mas sobre o que é ser humano ... realmente não queremos ficar com a nudez de nossa experiência atual. Ficar no presente parece ser contra-natureza. Estes são os momentos em que apenas a gentileza e o sentido de humor podem dar -nos a força necessária para repousar ... por isso, sempre que nos afastamos, incentivamo-nos suavemente a "ficar" e acalmar." (Pema Chödron)

Se olharmos para a meditação como remédio para os nossos males - como se fosse uma pilula que podemos tomar - vamos ter dificuldades em conseguir resultados. Claro, podemos identificar os aspectos do nosso ser que não gostamos, seja ao nível emocional (a nossa irritabilidade, insegurança, ansiedade, stress....) ou ao nível físico (dores, tonturas, tinitus..) ou mental (falta de concentração, pensamentos repetitivos...)
Mas ao identificar onde estamos mal, corremos os risco de cair numa armadilha, montado pelo ego!

Segundo Eckhart Tolle, na maioria dos casos, quando pensamos "quem sou eu", o que referimos não é  "eu" mas sim o "ego".
Falamos de uma imagem que temos de nós, composto por emoções, pensamentos, uma história de acontecimentos e as emoções e sensações que daí resultaram; falamos dos papeis que habitualmente desempenhamos nas varias funções exercidas; falamos de conceitos colectivos com os quais nos identificamos, como a cor política, a religião, raça, classe social ou ideologia.
Há outras facetas mais individuais na identificação pessoal, tal como o aspecto do corpo, opiniões pessoais, emoções, comparações com os outros..

Cada pessoa tem assim uma identidade diferente - mas são diferenças superficiais.
A essência dos egos e igual em todos. E são iguais porque todos os egos identificam-se de maneira igual, através de conceitos construídos na base de pensamentos, memórias e emoções ou na comparação com o outro - o que também é um processo mental.
A base do Ego é assim instável, visto que pensamentos e emoções são por natureza efémeros. O ego acaba por ser instável também - uma instância precária numa luta constante pela sobrevivência. O 'Eu" baseado em conceitos mentais precisa de se alimentar, de se proteger e de crescer para sobreviver - e precisa da oposição ao "outro" para o conseguir.

Meditação corta com essa ilusão. Ao contemplar o Eu (através de uma prática introspectiva), gradualmente começamos a ver como a própria natureza do Eu é ilusório.
Esta afirmação pode levar a supor que meditação é um processo de desilusão, enquanto despimos a nossa identidade dos seus valores. Mas há uma verdadeira liberdade a conquistar no coração da practica: a meditação liberta-nos da necessidade de preencher cada momento com coisas, acções ou análises. 
Descobrimos que não somos os nossos pensamentos.
Descobrimos que não somos as nossas emoções.
Descobrimos como podemos repousar tranquilamente naquele vazio leve e luminoso da meditação, que acontece no espaço entre a agitação mental e o aborrecimento. 

Experimente por si mesmo. Agitação e aborrecimento são impossíveis de escapar quando iniciamos a prática de meditação sentada o puro tedio de "não fazer nada" ou a onda de ansiedade que acompanha a sensação de que há tanta coisa mais para fazer agora do que estar apenas sentado aqui.

"O truque é continuar explorando e não desertar, mesmo quando descobrimos que algo não é o que pensávamos. Isso é o que vamos descobrir uma e outra e outra vez. Nada é o que pensamos. Posso dizer isso com muita confiança. O vazio não é o que pensávamos. Nem a atenção plena ou o medo. Compaixão - não é o que pensávamos. Amor. Natureza do Buda. Coragem. Essas são palavras de código para coisas que não conhecemos em nossas mentes, mas qualquer um de nós poderia experimentar. Estas são palavras que apontam para o que a vida realmente é quando deixamos as coisas desmoronar e deixamos que somos pregados no momento presente ".

(Pema Chödrön em: When Things Fall Apart)



Para quem quer iniciar-se na meditação e explorar a pratica diária de Mindfulness é organizado um
Curso de Iniciação à Meditação de Plena Atenção (Mindfulness)
O curso consiste em 6 sessões em que teoria e prática são conjugadas. Em cada sessão fazemos uma meditação guiada para pôr em prática os conceitos falados. Há "TPC's" - exercícios que podem ser praticados em casa, para quem procura estabelecer uma disciplina diária. 
Sessões às segundas feiras entre as 19h e 20.30h, a partir de 23 de Janeiro
Contribuição: 40€  (dificuldades financeiras não são impedimento para participar no curso. Fala comigo)
 
Mais informação e inscrições através do mail (cavalo.d.vento@gmail.com) ou por telefone, whatsapp ou sms: 934 211 445
Nº máxima de participantes - 10.  (Se houver mais inscrições há possibilidade de abrir um segundo grupo)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Lua Cheia 12 de Janeiro : Passar pela noite escura para recomeçar sem medo

Será a primeira Lua Cheia depois do Solstício do Inverno, o momento no ciclo anual em que celebramos a vitória da Luz sobre a Sombra.
O Sol está em Capricórnio e a Lua Cheia nascerá em Caranguejo. Caranguejo é um signo de Água, e está ligado à Lua.

 A conjuntura em que a Lua aparece é uma Grande Cruz Cardinal: o Sol em Capricornio, a Lua em Caranguejo,  em quadratura com Jupiter em Balança e Urano em Aries. A Cruz Cardinal é como um moinho de energias emocionais que pode levar a divisão, comportamentos de risco, e reacções pueris. As emoções podem ser mais fortes do que nós e podem levar a comportamentos por impulso!

A Humanidade está a passar por um período particularmente intenso. A consciência aumenta, mas a divisão entre quem é compassivo por um lado e quem vive de forma egocêntrica, aumenta. É uma fase de renovação de um mundo virado para o ego para um mundo que experimenta uma forma mais elevada de consciência e iluminação.

A Lua Cheia em Caranguejo refere ao lar, à família, aos antepassados e ao passado. Todos temos de alguma forma feridas, dores ou cicatrizes que resultaram de experiências na infância ou juventude. É importante ver que memórias guardamos e que dores ainda não libertamos, e tratar disso - mas é igualmente importante reflectir sobre o lugar que ocupamos agora na sociedade.

Precisamos de liberdade, precisamos de sentir que a nossa vida faz sentido e tem um rumo. Precisamos de amor-próprio e de uma sensação de segurança interior. Precisamos de sentir-nos a salvo, acarinhados, sem amarras, expectativas ou obrigações. A Lua oferece a energia de suporte para reflexão e um olhar sincero no espelho da alma.

É altura de voltar à Luz, a fim de renascer inteiro e curado. É altura de perdão, mesmo para aqueles no passado ou na família que causaram tristeza ou mágoa.
A Lua Cheia em Caranguejo vai iluminar emoções reprimidas e dolorosas ligadas à família, passado e reacções condicionadas, e pedir para limpar, chorar o que ainda há para chorar e libertar o passado.
A Lua Velha, como é chamado esta Lua, representa um momento de limpeza profunda. A escuridão das noites do inverno serve para nos retiramos e ligar-nos novamente à Fonte.

Em breve a Natureza vai chamar-nos para surgir na Luz. Quando o calor e o sol da Primavera começam a guiar as sementes no seu crescimento, também nós vamos ser chamados para crescer e fazer o próximo passo na nossa evolução. Tal como as sementes, também nós precisamos de passar por um período de retiro, passado no escuro, para ganhar força para a proxima fase. Tal como as sementes que repousam, vamos ser chamados de assumir o nosso lugar na Terra e florescer.

É agora o momento indicado de olhar para os demónios que viajaram connosco do passado até ao dia de hoje. Olha-os na Luz da Lua , com compaixão e ternura. É altura de deixa-los ir, para que o dia de amanhã possa ser vivida em liberdade.

Nesta altura do ano é recomendável fazer uma limpeza ao fígado e ao sangue, para apoiar o corpo no processo emocional. Ama-te e cuida-te. Mereces.

Meditação da Lua Cheia
12 de Janeiro, 17.30h, Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora


Para a cerimónia no Cromeleque, é costume trazer uma oferenda em agradecimento ao sítio: um pau de incenso, um pouco de água, uma pedrinha, uma flor, ou o que achar adequada para exprimir a gratidão.
A participação na cerimónia é por donativo.

Estão todos bem-vindos!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Lua Nova em Capricórnio: energia para manifestar o que procuramos criar!

Passaram uns dias apenas desde o Solstício do Inverno e os dias começam timidamente a crescer.
Há uma tradição que diz que a seguir ao Natal vem um período de 12 dias e noites - até 6 de Janeiro - em que todas as noites podemos receber um sonho...em cada uma das noites, um sonho sobre cada um dos meses do ano que vem. É neste período, quando o Sol dá a volta e a Luz volta a crescer, também em nós, que podemos estabelecer as nossas intenções para o próximo ciclo solar, tal como fazemos em cada ciclo Lunar aquando da Lua Nova.
No meio deste período teremos uma Lua Nova, em Capricórnio. A energia desta Lua ajuda a ser firme, pragmático, mas também muito claro e preciso na comunicação sobre aquilo que procuramos criar. A Lua Nova vai inclusivo dar um impulso para sonhar alto e sentir que é neste próximo ano que podemos mostrar quem somos, pôr as mãos à obra e assumir a responsabilidade sobre a nossa vida.
Por isso, no dia 29, dia da Lua Nova, podemos plantar a semente para o ano que vem no solo que preparamos no ano que passou... Hoje é dia de fazer a sua cerimónia ou ritual pessoal e estabelecer as metas, resoluções ou intenções para o novo ano.

Desejo a todos que o ano que se avizinha seja um ano de realização pessoal, de prosperidade e saúde, abundante em partilha, amizade, alegria. Que haja paz em todos os corações.
 
A partir de Janeiro, o horário das meditações regulares vai mudar. Percebi-me que deixei para trás algumas iniciativas que gostaria de ter desenvolvidas, tais como workshops, cursos ou grupos de trabalho mais especializados.

Com estas mudanças as sessões de segunda feira desaparecem para abrir espaço para outras actividades, a começar com :
 
Curso de Iniciação à Meditação de Plena Atenção (Mindfulness): 
6 sessões semanais a partir de 23 de Janeiro
Cada vez mais pessoas se apercebem da eficácia da meditação de plena atenção para reduzir o stress e melhorar o desempenho intelectual e psicológico, mental e emocional. Os benefícios são amplamente conhecidos e as livrarias estão cheias de livros que nos dizem como vamos sentir-nos melhor se adoptamos a prática meditativa. 
 
Infelizmente, a meditação é uma práctica tão simples, que chega a ser muito difícil de conseguir fazer.  Acaba por ser difícil chegar a resultados satisfatórios!
Regularmente chegam-me lamentos de pessoas que gostariam de fazer meditação mas não se sentem bem. Experiências como não conseguir ficar quieto, ou concentrar-se; não conseguir acalmar a mente; não saber lidar com sensações que surgem no corpo ou na mente; ficar aborrecido, irritado ou com vontade de dormir: são apenas alguns dos fenómenos apontados como entraves à prática meditativa.
 
A fim de apoiar os que gostariam de explorar os benefícios do Mindfulness, e ajudar a ultrapassar as barreiras do início de uma nova disciplina, elaborei um curso de iniciação à meditação, a iniciar no dia 23 de Janeiro.
Em 6 sessões semanais são tratados os seguintes temas:
* O que é meditação? Porquê meditar? O que é Mindfulness e como é que  pode ajudar a reduzir o stress e acalmar uma mente sobrecarregada?
* Criar e cultivar condições para a meditação. O que é um suporte para meditação, e porque utilizamos um suporte?
* Meditação como prática de intimidade interior: que relação mantemos connosco? Como cultivar a amizade connosco? Como podemos criar uma ponte sobre o abismo entre o que queremos ser e o que somos?
* Meditação como terapia ou apoio para um processo de cura
* Como respirar com plena atenção, estabelecer contacto com o corpo e manter-nos com atenção neste contacto
* Como lidar com os obstáculos de dúvida, emoção, aborrecimento

O curso consiste em 6 sessões em que teoria e prática são conjugadas. Em cada sessão fazemos uma meditação guiada para pôr em prática os conceitos falados. Há "TPC's" - exercícios que podem ser praticados em casa, para quem procura estabelecer uma disciplina diária. 
Sessões às segundas feiras entre as 19h e 20.30h, a partir de 23 de Janeiro
Contribuição: 40€  (dificuldades financeiras não são impedimento para participar no curso. Fala comigo)
 
Mais informação e inscrições através do mail (cavalo.d.vento@gmail.com) ou por telefone, whatsapp ou sms: 934 211 445
Nº máxima de participantes - 10.  (Se houver mais inscrições há possibilidade de abrir um segundo grupo)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Natal

Em todo o lado, o "espírito de Natal" se impõe. Luzes, decorações a branco, vermelho e verde, douradas ou prateadas. Neve. Presentes. As ruas enchem-se de música alegre, com crianças a desejar em coro um bom natal a todos. É altura de desejar que haja Paz na terra para os homens de boa vontade.

Como disse Milôr Fernandes, isto é paz para muito poucos.

Corremos o risco de tornamos cínicos quando vemos como o marketing da época pinta a ilusão da felicidade que se obtém ao comprar e consumir. É felicidade para quem a consegue comprar.
Entre o barulho das luzes, há às vezes uma abertura e sentimos que há um verdadeiro espírito de Natal por aí: as pessoas lembram-se dos que pouco têm; partilham, doam, e compram presentes "solidários".
É a altura do ano em que tomamos consciência dos laços que nos unem - não só aos familiares e amigos, mas também a quem sofre, a quem tem necessidades, a quem está só.

Isso lembra-nos que o Natal também é altura de renovar a fé. Fé que o Sol volta a brilhar, que os dias se tornarão mais compridos e quentes; fé que o ano que vem vai trazer mais prosperidade, mais partilha, mais companheirismo, mais fraternidade.

Nos tempos que vivemos, em que a violência invade as nossas vidas, em que um grupo pequeno de privilegiados partilha o poder sobre muitos e poucos enriquecem à custa de muitos, precisamos de nos lembrar que estamos todos juntos nisso.
Agora, nas noites mas escuras do ano, é bom lembrar que todos juntos podemos criar outra versão do mundo, aqui e agora: um mundo em que olhamos para o outro como o nosso igual; um mundo em que desejamos o mesmo para os outros que desejamos para nós.

Um mundo em que a vulnerabilidade não é fraqueza mas sim, sinal de humanidade e razão para compaixão. Um mundo em que "o outro" não é o inimigo mas sim, um ser humano como nós, o nosso irmão, à procura de uma saída do seu sofrimento, tal como cada um de nós.
É isso que desejo do coração: que neste natal podemos fazer renascer a fé na bondade das pessoas comuns, fé no Ser Humano.


Feliz Natal. Que haja Paz nos corações.
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